11
Nov
09

A Fine Frenzy – Bomb In A Birdcage

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Alison pode ter conseguido sua quota de atenção com seu debut em 2007, One Cell in The Sea, mas boa parte do encantamento inicial foi drenado pelas críticas à pretensão do trabalho da moça e por fim esquecido, numa suposta confirmação de que a era das rockers que teve seu apogeu em meados dos anos 90, já chegou ao fim e esse formato não tem mais espaço dentro da música sem que algo realmente estonteante seja apresentado. E fato é que apesar de fofinho, o cd da moça foi muito mais ou menos para tanta atenção: letras mais ou menos, arranjos mais ou menos, voz mais ou menos… tirando o ear candy que fechava o álbum, Borrowed Time, havia pouco ali que salvasse o álbum dos bocejos. E fique imaginando se a garota, que vendia seu piano numa tentativa de mostrar sua influência da banda Radiohead (mas se muito conseguia proximidade de um Coldplay circa A Rush Of Blood to the Head), tivesse esticado naquela fórmula, mais ligada ao violão e ao vocal que à truques que hoje já são lugar comum (vejam a inundação de sucessos piano-based dessa década e entenderão do que falo).

E foi com felicidade que comecei a ouvir Bomb In a Birdcage, já que não precisei de 30 segundos para notar que a coisa agora seria diferente. Ao invés de pintar uma imagem maior do que era capaz de sustentar, What I Woudn’t Do segue no caminho confortável que tornou a trilha de Juno um sucesso comercial: composição leve, abre o cd com a faixa mais simples já composta pela moça, segurada por um violão e a voz da moça ligeiramente narrativa, com um sutil trabalho de cordas fake-folkeando a coisa, mimicando truques do lo-fi. Se a descrição parece clichê/negativa, bem, a faixa uptempo é na verdade um trabalho mais convidativo em teoria do que parece.

E esse é sem dúvida alguma o maior trunfo da ruiva nesse álbum. Em pouco mais de 42 minutos de duração divididos em 11 faixas, Bomb In a Birdcage na teoria é apenas mais um álbum de uma cantora pouco distinguível, repleto de composições simples, com ares retrôs, atrelada a um violão/guitarra/piano e nada de original. Na prática, é um triunfo do uptempo nessa nova geração de herdeiras do rock dos 00’s, com faixas muito bem marcadas, vocais cristalinos, letras elegantes, refrões empolgantes e uma boa dose de preciosismo. What I Woudn’t Do traz ambas as descrições acima bem claras, e por sua característica mais enérgica, introduz New Heights, outra faixa carregada pelo piano do catálogo da moça, de forma diferente das baladinhas do seu álbum de estréia. Aqui, New Heights vem grandiosa de verdade, e o vocal da moça cede espaço aos instrumentos para que as marcações da faixa jamais soem empedradas, com mudanças constantes nos intrumentais sutis da faixa deixando-a viva até seu último segundo.

E esse encadeamento vitorioso é uma das virtudes de Bomb In a Birdcage. Cada faixa é uma preciosidade por si só, mas os encadeamentos costuram perfeitamente os diversos climas desenvolvidos dentro do álbum. E quando notamos que a primeira faixa lenta do álbum, Swan Song, está a apenas uma faixa de distância da enérgica Blow Away, palmas tem que ser concedidas pela transição suave executada pela faixa Happier, uma deliciosa composição onde piano e violão complementam a voz da moça e backing vocals complementam os intrumentais e a coisa vai ganhando camadas interessantes mesmo com seu tempo ligeiramente reduzido. E se a segunda metade do álbum apresenta composições mais opulentes, as transições que levaram até lá são sempre gentis e a composição dessa vez vem afiada, fazendo com que cada faixa funcione como escapismo mental puro e simples (mesmo a grandiosa Stood Up com seu orquestral opulente sobrevive à pretensão, sendo colocada devagar em nossas orelhas, o que torna a experiência mais palatável) ou como pequeno exercício analítico devido aos instrumentais intrincados (Novamente New Heights aqui, galera), já que mesmo que na verdade não haja nada de cair o queixo a execução é inteligente e mantém as faixas vivas e interessantes.

Alison num primeiro momento tinha o piano como maior aliado e bebia de Sigur Rós. Aqui seu maior aliado é a banda que a acompanha e seu cardápio tem débito alto à cantoras como Feist e Cat Power. Bomb In A Birdcage pode não ser único, pode não ser um stand out, mas como álbum é uma coletânea de pequenas gemas costuradas de forma inteligente trazendo sempre um prazer novo a cada audição, sem com isso ter que prender quem o escuta à conceitos externos ou idéias chamativas. Consegue isso sendo apenas um atestado de que boa música por si só já basta.

Nota: 8

Bomb In a Birdcage (senha: minte)

09
Nov
09

Taylor Swift – Fearless Platinum Edition

Music Review Taylor Swift

Começar assim: tenho minhas dúvidas sobre o que Emile vai achar desse post :P

Completando um ano nos charts, Fearless da cantora Taylor Swift provavelmente terminará a década de uma forma memorável. O álbum ficou 11 semanas não consecutivas no topo do Billboard hot 200, teve a maior estréia feminina do ano de 2008 nos EUA e sua estonteante longevidade garantiu, num mercado fonográfico físico cada dia mais reduzido, a marca de 5x Platina nos Estados Unidos, e, sem demonstrar cansaço, pulou de 7 para 3 no Billboard hot 200 em sua 52 semana com o lançamento da Platinum Edition!

Ok, critérios a se observar: Fearless foi composto por uma menina de 18 anos, na esteira do seu quase homemaid debut, que foi lançado quando a garota tinha 16 anos e ainda continua no hot 200 a mais de 150 semanas, embora Fearless tenha sido lançado com bem mais orçamento por trás. A música em Fearless é tão country quanto o cd Up! Red de Shania Twain (pra qm não sabe, Red era o pop mix das faixas, o Green sendo o country e o Blue world music (?)). Por fim, há o fator mídia, já que a garota está na boca do povo após o incidente no VMA (no fim das contas, responsável apenas por um dos melhores internet memes of all time).

Então como falar sobre esse álbum? Primeiramente com os fatos: a garota, assim como no debut, participou da composição ou, mais costumeiramente, compôs absolutamente todas as faixas do álbum. E se ela conseguiu carta branca pra driblar o estrangulamento artístico comum dentro da música pop e praticamente incontornável para novas caras, isso se deve ao fato de a Big Machine ser uma gravadora independente de Nashville, já que a RCA tentou um contrato quando Taylor tinha 15 anos, mas teve a proposta recusada. Compondo com violão e guitarra, influenciada por artistas do quinhão de Dixie Chicks e Shania Twain, Taylor tem a seu lado a juventude. Sim, pois graças a essa característica Taylor manchou as fronteiras do country e bluegrass com o teen pop, fator que suas influências forçaram pouco a barra, mantendo a atenção no mercado adulto mesmo (embora Shania tenha feito avanços sensacionais com seu Up!). Em faixas como Breathe e Love Story isso é mais que claro, com mandolins e violinos trabalhando a serviço da sonoridade na extrutura estrofe-ponte-refrão mas tendo seus momentos instrumentais iluminados em pontos específicos, deixando os vocais a serviço destes. Claro que tudo fica tão radiofônico que a necessidade de um pop edit para Love Story foi quase um tiro no pé, e a facilidade de chamar essa música de pop rendeu críticas prematuras de quem julgou diretamente como lixo redneck para adolescentes.

Fato é que Fearless é um enorme guilty pleasure sim! Da primeira à última faixa a menina mostrou um talento para composições de fácil assimilação que, lapidado, poderia soterrar essa década e meia de produções pop vindas de laboratórios suecos (estou olhando pra você, Max Martin), sem deixar de trazer a tona um preciosimo nas suas composições que não é apenas raro no nicho pop da música, famoso pelo descuido e preguiça. Sua voz, claro, ainda tem o que desenvolver, mas não é irritante como a das suas parceiras de idade (que aparentemente foram promovidas a cantoras num processo, não mais recente, onde fazer parte do cast da Disney torna alguém cantor profissional). Não é um álbum estupendo, mas consegue se destacar por méritos que vão além dos gritos de “Ela é linda/estilosa/insira-aqui-seu-adjetivo-não-relacionado-à-música” que surge como defesa desse tipo de produto por sua fan-base, por vezes midiática. Taylor não tem um grande arsenal, mas tem um arsenal interessante e já demonstrou saber quais notas quer atingir.

Isso fica ainda mais claro com as 6 novas faixas da sua Platinum Edition, que por sinal iniciam o álbum. Levemente indulgente e de atmosfera mais carregada que as faixas originais no total, há uma mensagem sutil (até demais) por trás das novas faixas: crescimento. E se toda a leva de artistas teens tá em constante desenvolvimento dessa mensagem, a diferença aqui é que Taylor está por trás da sua. E agora ela dá comandos (“Cause I’mma stay through it all/So jump, then fall”) enquanto navega por uma gama maior de instrumentos que antes, monstrando mais confiança em sua voz mas a mesma vulnerabilidade nas letras e sem tirar o pé do mix de pop rock/country/bluegrass que tem conquistado audiências diversas. Taylor tem toda uma mídia agora prestanto atenção em si depois de dois anos sendo a artista que mais vende álbuns nos EUA, mas já vão 4 anos de carreira em 19 anos de vida. Façam a matemática e poderão entender que para a moça é bastante, e a impaciência com o correto reconhecimento de sua obra borbulha sutil pelos instrumentais rendidos ao orquestral por vezes over e pelas interpretações ligeiramente viciadas por Dolly Parton-ismos. Pra quem gosta deve ter os seus encantos, mas o sacrifício da naturalidade suave do Fearless original por 5 faixas seguidas (o novo single Jump Then Fall contém a mesma atmosfera que consagrou a versão original) custou um pouco. Não é um constraste entre melhor ou pior, apenas um contraste de óticas que as músicas sugerem, e essas 6 novas faixas talvez fizessem bem melhor num outro lançamento ou até mesmo em outras ordens dentro do Fearless, mas da forma como foi lançado ficou um pequeno embate, com uma primeira metade engordada e uma segunda metade cansada.

Para quem já conhece o trabalho da moça, essa Platinum Edition deve agradar, já que sem sair da assinatura da moça aponta para novidades sonoras interessantes que podem render, enfim, trabalhos diferentes dos ingênuos trabalhos já criados pela loirinha. Mas para quem não conhece, infelizmente, essa Platinum Edition pode se tornar cansativa e arrogante no total, sendo realmente salva pela deliciosa faixa nova Jump Then Fall, que sem dúvida alguma é uma faixa de começo de álbum, com um vocal bem estudado e pequenos detalhes que deixam tudo mais leve (escutem aquele violino no refrão pra entender o que estou dizendo), com o pedido da guria pra se lançar no álbum vindo com tanta docilidade que resistir é inútil e pelo resgate do feeling original do ábum ao chegar em Fearless, que sozinha com seu refrão grudento, do flerte com as produções Dixie Chick-ianas que mesclavam rock ao bluegrass (lembrando bastante o clima do fantástico álbum Fly) e letra banal, mas com boas escolhas de imagética considerando o público alvo, é fresquinha, enérgica e justificadamente a faixa título de um dos álbuns mais bem sucedidos dos últimos anos.

Notas:

Fearless: 7.5

Fearless Platinum Edition: 5

Faixas novas: 6

Fearless 2008 (senha: minte)

Faixas novas (senha: minte)

03
Nov
09

A Fine Frenzy – Blow Away

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É, quem diria. Se em algum momento o som da Alison foi influenciado por Radiohead e Sigur Rós eu tenho lá minhas ressalvas, mas era ela quem dizia, quem sou eu pra discordar. Fato é que Radiohead e Sigur Rós são bandas, e de banda para singer-songwritter rola uma severa diferença que parece que a ruiva aprendeu. E se o som do novo single, Blow Away diz algo sobre os novos rumos do som da moça, famosa por suas baladinhas Almost Lover e Come on, Come out, é que agora o som da moça largou certa pretensiosidade de lado, que se antes ao menos mostrava que a garota almejava muito, agora mostra que ela faz aquilo que sabe.

O single, carro chefe do surpreendente Bomb In A Birdcage, é uma deliciosa combinação de alguns dos pontos mais fortes do álbum anterior com alguns novos truques que a moça desenvolve com graça e leveza, deixando tudo despretensiosamente meticuloso. Puxado por uma bateria e um trabalho de cordas bem mais uptempo que o som assinatura da moça, o crescendo de instrumentos durante a faixa recheia o refrão por completo, mas é o violão que fica grudado, emoldurando a voz da moça em uma de suas melhores entregas de estúdio até agora. Ligeiros vícios de Regina Spektor pontuam a interpretação da letra que, pra variar, vem com algumas contruções inteligentes para ficar cantarolando. E se você ouvir o refrão dessa música, que é como primavera enagarrafada, e não ficar nem um pouco tentado a acompanhar a moça, melhor fechar sua playlist de darkmood songs e abrir a janela. Tem muita escuridão dentro de você!

Abrindo mão da pretensiosidade que destacava a moça na teoria (Radiohead) e abraçando as singularidades do real movimento da qual saíram as comparações que rondaram seu trabalho de estréia (Sarah McLachlan, Rachel Yamagata) não foi realmente um step back. O gostosinho One Cell In The Sea foi um trabalho melhor na teoria que na prática. Blow Away é algo que na prática ficou surpreendentemente melhor que na teoria.

Nota: 8

Blow Away para download.

31
Oct
09

Dia das bruxas

Alphabeat+5The_Spell

Aproveitemos para curtir o feitiço do Alphabeat. Outro cd que tá sendo protelado, já que ia ser lançado em novembro e agora só em Janeiro no UK, pra nossa sorte foi lançado dia 26 agora na terra natal da banda, Dinamarca, e pelos poderes concedidos pela net, o cd pode ser ouvido na íntegra.

Depois do carro chefe, The Spell, e das declarações da banda que a sonoridade viria inspirada no eletro do começo dos anos 90 de bandas como Snap!, muita gente torceu o nariz, já que o rock super feliz da banda virou um dos sons mais regozijados do ano passado. Claro que tanta felicidade soava às vezes até assustadora, era muita celebração. Bem, agora tanta celebração juvenil vem num recheio dance, que por incrível que pareça serviu MUITO melhor para a proposta da banda que o power pop do primeiro álbum. E a prova está no carro chefe. Usando como base um hit do grupo italiano Black Box que bombou na virada da década de 80 pra de 90, priorizando os vocais da Stine e seguindo a música com a batida e o teclado, cada instrumento surge para dar uma luz na voz deliciosa da ex loira. Fácil, produzido? Bem, a função da música é pôr pra dançar e dançar ela faz como poucas esse ano conseguiram. A única crítica que posso fazer a essa faixa é que só tem 2 frases cantadas pelo Anders duas vezes, e a voz dele roubava a cena da voz da Stine sempre. Mas nessa embalagem dance, a voz da Stine brilha com mais força que antes, e o cd segue dando certa relevância a moça em detrimento do rapaz, e vez ou outra ambas as vozes sofrem uso de vocoders por vezes desnecessários, como em The Beat Is.

Mas a energia do álbum segura esse problema, mantendo as batidas do começo ao fim, inundando as faixas com buzinas, teclados, sintetizadores, vocais deliciosos e as letras sempre gostosinhas de se cantar da banda. Embora não muito ambiciosas nos temas, são sempre ingênuas no ponto, e dessa vez tratando por vezes de temas metalinguísticos. The Beat Is e Dj formam um combo de duas músicas onde a paixão da música gerando novas paixões transfere todo o entusiasmo que se precisa para uma pista de dança, separardas por um dos pontos altos do cd, a fantástica Hole In My Heart, onde Anders começa a música cantando, para receber a resposta de Stine, chegando num dos refrões mais eficientes que a banda já fez. Mas a cereja do bolo mesmo é Heat Wave, que com ecos de La Bouche, traz Stine no seu mais enérgico, acompanhada de um baixo sutil mas libidinoso e dum crescendo na extrutura ponte-refrão que desagua glorioso no refrão mais forte da banda, conhecida por esse talento. Esse one-two-three-four-five punch de músicas pra pista já garantiria uma recomendação do cd.

Pena que daí pra frente as coisas comecem a decair. De alguma forma uma coisa boa, Chess vem como filler logo após essa sequência vencedora, derrubando a energia do cd com uma ponte chata e um refrão muito lightpop, e a tentativa da Stine de soar sensual não ajuda nessa faixa, que consegue a proeza de ser mal datável, ao contrário das anteriores que remetiam a tempos antigos mas onde os truques da produção traziam um ar de frescor às faixas. Após Chess, o cd só se recupera mesmo graças à gloriosa Always Up With You, que consegue a proeza de superar o truque usado anteriormente no cd (e que faz Hole In My Heart tão boa), mas pela ordem das faixas ajuda o cd a resgatar a energia da primeira parte, deixando as duas faixas do cd num clima meio que de filler por culpa da queda de Chess, mas ainda assim de fillers bem feitos como o dos álbuns de light pop suecos da segunda metade da década de 90, mesmo que sejam faixas competentes ao seu modo, e The Right Thing com o tecladinho sem vergonha que surge na hora certa para temperar os vocais do duo, termina o cd com a mesma energia que ele começa, usando de truques mais modernos para trazer a faixa mais para os 00’s.

Apesar de um ou outro tropeço de over produção, de um ou outro filler, uma vez que esse cd entre em ingnição, e acreditem quando falo que não leva 30 segundos, podem descansar que a festa vai acontecer tranquila pelos próximos 37 minutos. Retrô sem ser brega, deliciosamente nada ambicioso, The Spell tem a seu favor o fato de que o duo de vocais é excepcional e eles sabem fazer um bom refrão como poucos. Não é buscando ser memorável, é buscando ser bom, e nisso eles são mais que eficientes. Ao menos por enquanto o feitiço deles é bem poderoso sim, e torcer o nariz por essa mudança seria tolice. Alphabeat fez um segundo strike.

Nota: 8

Faixa a faixa correta, mas da 2 à 7 vai precisar de correção no media player, ok?

30
Oct
09

Annie vive e nós agradecemos.

Annie+PNG

Vejam bem, queridos: depois de prometer um álbum para meados do ano passado, arrumar encrenca com gravadora, ir solo, ter seu álbum vazado, cancelar o lançamento do álbum, lançar singles animadores (Anthonio se revelou uma das mais gratas surpresas do ano), parece que a novela do Don’t Stop chega ao fim colorida, felina, enérgica…

Ok, deixemos o álbum para depois. Annie lançou como carro chefe do seu novo cd a canção Songs Remind Me Of You em agosto, mas com a confirmação do lançamento do álbum para novembro agora, parece justo acrescentar apenas agora algo sobre a música. Produzida por Richard X, a faixa já aparecia na edição vazada de 2008. Se era diferença na qualidade da faixa, não sei, mas fato é que essa versão que surgiu em 2009 veio ligeiramente mais bem acabadinha que a versão de 2008, embora ainda mantenha o fato de que, como demonstrou em Anniemal, Annie é uma das poucas artistas dessa década que, aliada à técnicas de produção competentes, consegue fazer uma música pop com zero da carga pejorativa que essa terminologia costuma trazer. Como? Bem, a batida 4/4 e os loops de sintetizadores trazem o nome Kylie direto na cabeça a princípio, e essa é a música mais agressiva para as pistas que Annie já fez, remetendo à disco music do pós punk, com ecos de Human League desde a primeira nota . A extrutura verso, ponte, refrão apenas facilita a assimilação da faixa se você estiver na pista fervendo, com as transições da faixa vindo sempre de forma suave e bem trabalhadas, o que surpreende ainda mais considerando a natureza uptempo da música. Uma faixa no melhor estilo Kylie então (vá lá, até os rockeirinhos hipsters já aceitam Kylie no seu nicho)? Na verdade, é nos vocais que surge a real diferença nessa faixa. A letra começa como fábula apenas para tratar, de verdade, da forma como se lida com o fim (via música), deixando as perguntas sem resposta. E as harmonias vocais que acompanham em loop do começo ao fim da faixa deixam claro o tom de melancolia da música. Tudo bem direto e eficiente, remetendo à própria assinatura que Annie criou para si com o estupendo Anniemal em 2004/2005, criando um hell of a carro chefe para um dos álbuns mais bem vindos do ano, onde fica claro que os truques da loira ainda são dignos de uma conferida.

Nota: 9

Songs Remind Me Of You, 2009