
Começar assim: tenho minhas dúvidas sobre o que Emile vai achar desse post
Completando um ano nos charts, Fearless da cantora Taylor Swift provavelmente terminará a década de uma forma memorável. O álbum ficou 11 semanas não consecutivas no topo do Billboard hot 200, teve a maior estréia feminina do ano de 2008 nos EUA e sua estonteante longevidade garantiu, num mercado fonográfico físico cada dia mais reduzido, a marca de 5x Platina nos Estados Unidos, e, sem demonstrar cansaço, pulou de 7 para 3 no Billboard hot 200 em sua 52 semana com o lançamento da Platinum Edition!
Ok, critérios a se observar: Fearless foi composto por uma menina de 18 anos, na esteira do seu quase homemaid debut, que foi lançado quando a garota tinha 16 anos e ainda continua no hot 200 a mais de 150 semanas, embora Fearless tenha sido lançado com bem mais orçamento por trás. A música em Fearless é tão country quanto o cd Up! Red de Shania Twain (pra qm não sabe, Red era o pop mix das faixas, o Green sendo o country e o Blue world music (?)). Por fim, há o fator mídia, já que a garota está na boca do povo após o incidente no VMA (no fim das contas, responsável apenas por um dos melhores internet memes of all time).
Então como falar sobre esse álbum? Primeiramente com os fatos: a garota, assim como no debut, participou da composição ou, mais costumeiramente, compôs absolutamente todas as faixas do álbum. E se ela conseguiu carta branca pra driblar o estrangulamento artístico comum dentro da música pop e praticamente incontornável para novas caras, isso se deve ao fato de a Big Machine ser uma gravadora independente de Nashville, já que a RCA tentou um contrato quando Taylor tinha 15 anos, mas teve a proposta recusada. Compondo com violão e guitarra, influenciada por artistas do quinhão de Dixie Chicks e Shania Twain, Taylor tem a seu lado a juventude. Sim, pois graças a essa característica Taylor manchou as fronteiras do country e bluegrass com o teen pop, fator que suas influências forçaram pouco a barra, mantendo a atenção no mercado adulto mesmo (embora Shania tenha feito avanços sensacionais com seu Up!). Em faixas como Breathe e Love Story isso é mais que claro, com mandolins e violinos trabalhando a serviço da sonoridade na extrutura estrofe-ponte-refrão mas tendo seus momentos instrumentais iluminados em pontos específicos, deixando os vocais a serviço destes. Claro que tudo fica tão radiofônico que a necessidade de um pop edit para Love Story foi quase um tiro no pé, e a facilidade de chamar essa música de pop rendeu críticas prematuras de quem julgou diretamente como lixo redneck para adolescentes.
Fato é que Fearless é um enorme guilty pleasure sim! Da primeira à última faixa a menina mostrou um talento para composições de fácil assimilação que, lapidado, poderia soterrar essa década e meia de produções pop vindas de laboratórios suecos (estou olhando pra você, Max Martin), sem deixar de trazer a tona um preciosimo nas suas composições que não é apenas raro no nicho pop da música, famoso pelo descuido e preguiça. Sua voz, claro, ainda tem o que desenvolver, mas não é irritante como a das suas parceiras de idade (que aparentemente foram promovidas a cantoras num processo, não mais recente, onde fazer parte do cast da Disney torna alguém cantor profissional). Não é um álbum estupendo, mas consegue se destacar por méritos que vão além dos gritos de “Ela é linda/estilosa/insira-aqui-seu-adjetivo-não-relacionado-à-música” que surge como defesa desse tipo de produto por sua fan-base, por vezes midiática. Taylor não tem um grande arsenal, mas tem um arsenal interessante e já demonstrou saber quais notas quer atingir.
Isso fica ainda mais claro com as 6 novas faixas da sua Platinum Edition, que por sinal iniciam o álbum. Levemente indulgente e de atmosfera mais carregada que as faixas originais no total, há uma mensagem sutil (até demais) por trás das novas faixas: crescimento. E se toda a leva de artistas teens tá em constante desenvolvimento dessa mensagem, a diferença aqui é que Taylor está por trás da sua. E agora ela dá comandos (“Cause I’mma stay through it all/So jump, then fall”) enquanto navega por uma gama maior de instrumentos que antes, monstrando mais confiança em sua voz mas a mesma vulnerabilidade nas letras e sem tirar o pé do mix de pop rock/country/bluegrass que tem conquistado audiências diversas. Taylor tem toda uma mídia agora prestanto atenção em si depois de dois anos sendo a artista que mais vende álbuns nos EUA, mas já vão 4 anos de carreira em 19 anos de vida. Façam a matemática e poderão entender que para a moça é bastante, e a impaciência com o correto reconhecimento de sua obra borbulha sutil pelos instrumentais rendidos ao orquestral por vezes over e pelas interpretações ligeiramente viciadas por Dolly Parton-ismos. Pra quem gosta deve ter os seus encantos, mas o sacrifício da naturalidade suave do Fearless original por 5 faixas seguidas (o novo single Jump Then Fall contém a mesma atmosfera que consagrou a versão original) custou um pouco. Não é um constraste entre melhor ou pior, apenas um contraste de óticas que as músicas sugerem, e essas 6 novas faixas talvez fizessem bem melhor num outro lançamento ou até mesmo em outras ordens dentro do Fearless, mas da forma como foi lançado ficou um pequeno embate, com uma primeira metade engordada e uma segunda metade cansada.
Para quem já conhece o trabalho da moça, essa Platinum Edition deve agradar, já que sem sair da assinatura da moça aponta para novidades sonoras interessantes que podem render, enfim, trabalhos diferentes dos ingênuos trabalhos já criados pela loirinha. Mas para quem não conhece, infelizmente, essa Platinum Edition pode se tornar cansativa e arrogante no total, sendo realmente salva pela deliciosa faixa nova Jump Then Fall, que sem dúvida alguma é uma faixa de começo de álbum, com um vocal bem estudado e pequenos detalhes que deixam tudo mais leve (escutem aquele violino no refrão pra entender o que estou dizendo), com o pedido da guria pra se lançar no álbum vindo com tanta docilidade que resistir é inútil e pelo resgate do feeling original do ábum ao chegar em Fearless, que sozinha com seu refrão grudento, do flerte com as produções Dixie Chick-ianas que mesclavam rock ao bluegrass (lembrando bastante o clima do fantástico álbum Fly) e letra banal, mas com boas escolhas de imagética considerando o público alvo, é fresquinha, enérgica e justificadamente a faixa título de um dos álbuns mais bem sucedidos dos últimos anos.
Notas:
Fearless: 7.5
Fearless Platinum Edition: 5
Faixas novas: 6
Fearless 2008 (senha: minte)
Faixas novas (senha: minte)